quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

MENSAGEM DE FIM DE ANO

Imagem da net


Um novo ano começa,
Uma década termina
E na azáfama da pressa
A terra definha.
A vida lentamente
Embriaga e conduz
Como quem sonha e sente
Na esperança a luz.
Eu sou o principio
De um Novo Ano
Trava o delito,
Emenda o engano...
Pensa e repara
Na tua linda terra,
Respeita o planeta,
Abomina a guerra!
Somos todos irmãos
Porquê tanto ódio,
Melhor é dar as mãos
E alcançarmos o pódio!

Ana Martins
Escrito a 28 de Dezembro de 2009


terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Para 2010 - Os meus Votos ...


Para todos os meus amigos/as e todos os que passam por esta casa...

Que o seu Ano Novo seja realmente Novo para todos e respectivos familiares.
Desejo que sua casa não seja somente uma morada mas um lar, cheio de harmonia, paz, compreensão e amor.
Antes de pedir, agradeça e agradeça muito.
Pelo dom da vida e elogios recebidos. Os abraços, os apertos de mãos sinceros e as vitórias conquistadas.
Os beijos amorosos que recebeu. Por todo o bem que lhe fizeram e que ajudaram a superar dificuldades. Especialmente pelos "eu amo-te" e os “bem-hajas”, não esquecendo os “eu quero ajudar”.

Os conselhos que lhe deram baseadas numa forte amizade. Os erros que lhe ensinaram a aprender.
Pelas vezes que caiu e se levantou sem ajudas. Pelas vezes que esteve a pique, mas a coragem salvou-o.
Pela confiança no dia seguinte. Pelas vezes que tratou das feridas dos outros. Pelas vezes que suas mãos afagaram e o seu coração perdoou. Pelas vezes que dividiu o pouco que restava. Agradeça, sobretudo, por confiar e ser bondoso.
Não se esqueça que os sonhos que foram adiados, por serem inoportunos, podem sempre ser realizados.

Desejo-lhe um Ano Novo não só de Paz, mas também de muitas lutas;
luta pela paz mundial, pelo fim da fome e dos maltratos, sobretudo sobre as crianças, as mulheres e todos os desprotegidos. Pela concórdia entre as famílias, que os idosos sejam amparados, pela justiça entre patrões e empregados, pela educação dos analfabetos e pelo fim de todas as injustiças.
Finalmente, e sabendo de antemão que muito ficou por dizer, que seja um aguerrido guerreiro pela PAZ MUNDIAL.

Fernanda Ferreira

segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Façam o favor de ser felizes

Recebi por e-mail este texto do amigo Manuel Nicolau que constitui uma forma original de desejar Boas Festas dentro do «espírito de Natal» tendente à irmaNação de todos os habitantes do Planeta. Não resisto à tentação de o colocar aqui à apreciação dos visitantes irmanados.

irmaNaçãO

A morte recente do nosso Solnado Raúl no Campo de Honra, da vida do dia a dia, em que ao cinzento dos tempos, ao longo de dezenas de anos, contrapôs um gesto largo de humor e delicadas cores que nem sempre o Arco íris tinha na paleta.

E nós ríamos, às vezes já não tanto das piadas do Raúl, mas do embaraço do Arcoda Velha a revolver o fundo do baú, na vã procura de um tom, um cromatismo, uma nuancesinha com que se pudesse ilustrar aquela discreta e transbordante existência.

Era e é assim o humor do nosso Raúl, não cultivava a conclusão bombástica mas a insinuação drástica. Não o riso fácil mas o sorriso redundante, aquele do rir por gosto, o de conseguir levar a nossa conturbada consciência a exorcizar a azia e o enfado.

Quase trinta anos atrás cruzámo-nos em Carnide, no tempo do presidente Abecassis. A ideia já vinha de trás, criar um centro dia para artistas, na baixa da ribeira da Pontinha junto à antiga capela de S. Lourenço, paredes meias com as caravanas de ciganos e do circo.

A coisa fêz-se, com ele e tantos outros que não vou aqui nomear, não que o não mereçam mas porque hoje a conversa vai noutro sentido. O sentido quem o deu foi um companheiro de teatro do Raúl que após a sua morte nos vem contar que ele e o Varela Silva eram irmãos de leite.

Um dos dois que não recordo qual, em bebé perdeu a mãe e foi amamentado pela outra. Isto contado assim, desta maneira, primeiro é chato, confrangedor, depois cresce e no ver do Raúl faz deles irmãos, e aí sorrimos, depois ao lembrar os dois, faz-nos crescer à boca de cena.

Já são três: o primeiro, o segundo e o narrador. " Irmãos de leite". A expressão é tão antiga como a humanidade. Gerações de crianças se irmanaram com leite de amas, fossem elas escravas, servas, criadas, tias, primas ou irmãs mais velhas, ou avós. È coisa tão comum, que só dito pelo Raúl é reparo.

Este tipo de irmandade nunca constituiu direitos. A "irmandade pelo sangue" essa sim, constituiu direitos, linhagens e outros entrouches. E conflitos também, e muitos. Já no tocante aos irmãos de leite não tenho notícia de que alguma vez alguém tenha terçado armas por exigida prevalência.

Seja como for, o que é facto é que nos dias que correm acabaram escravas, aias, amas, servas e criadas, ninguém da família dá de mamar, mas por ironia do destino em 95% somos todos irmãos de leite. Não da teta mas da lata de leite condensado.

É verdade, com os excedentes da II guerra mundial os povos de todos os continentes passaram em algumas dezenas de anos a ser "irmãos de leite condensado". Menos protegidos do ponto de vista imunitário, vitaminas, perfil genético, mais viroses, mais gastrenterites, mas, vale a pena: mais fraternos.

Enfim há um longo caminho a seguir, mas quem sabe talvez este dado menor, seja uma contribuição maior para um almejado novo paradigma, de uma sociedade mais fraterna, mais solidária, sem exclusões, em que aqueles que tiverem a escassa oportunidade de mamar da teta da mãe não sejam excluídos por privilegiados.

Umas grandes festas para vós, um obrigado do tamanho do mundo ao Raúl, e pelo caminho não se esqueçam de cumprir aquele favorzinho que ele nos pedia. ...

Abraço
Nicolau

Lapinhas de Natal - Fim.


O DESTINO ...
Em 1967 estava eu no 2º ano da Preparatória. Nessa altura já o meu irmão mais velho trabalhava no BPA. Foi a minha vez de ser chamado a essa instituição bancária para fazer testes para admissão. Éramos três para uma vaga, entrei eu.Estávamos em 26Jun1967, fazia eu 14 anos no mês seguinte. O meu pai achava que era por aí o futuro.

E assim acabava a minha infância. Chegava ao mundo do trabalho.
A minha vocação nessa altura, era o direito ou a marinha. Tive que virar-me para o curso comercial nocturno. Trabalhar com 14 anos e estudar à noite foi violento.

Nos meus tempos livres, o campismo selvagem era uma das actividades que eu adorava. Por isso numas férias, com a companhia de outro colega meu amigo, decidimos de tenda às costas, vir para o Minho. Entramos no comboio com bilhete para Monção. Quando passamos Viana do Castelo, aquela paisagem junto ao rio deslumbrou-nos. Ao fim de alguns anos de cidade aquilo era a miragem do paraíso. Decidimos sair na primeira estação onde o comboio parasse. Parou na Breia e saímos em direcção ao rio, era perto já que se avistava do apeadeiro. Instalamos a canadiana e fomos procurar comida.
Depois de andarmos um pouco encontramos um tipo café chamado “Pinoca”. Estavam uns senhores numa mesa a beber uns copos e jogar cartas, como é típico nestes lugares ainda hoje, todos se cumprimentam. Vimos um presunto e uns salpicões e abastecemos-nos por aí.
Entretanto palavra puxa palavra, já estávamos a beber uma malga do verde. Depois de revelar a nossa intenção de ficar por ali uns dias, o dono ofereceu-nos um garrafão de vinho, com a promessa de lhe devolvermos a embalagem. Estivemos os quinze dias disponíveis de férias naquele mesmo lugar a "Lenta".(Hoje existe perto o Inatel) Durante as noites quentes, muitos banhos eram tomados conforme viemos ao mundo. Liberdade total.

Aproximava-se a época da tropa e como não tinha o curso terminado decidi deixar a “Oliveira Martins” e passar para aluno externo. Inscrevi-me numas salas de estudo particular, o que me levou também a conhecer outros novos amigos.
Entre eles o Tó (António). Extra trabalho, passou a ser um dos meus amigos preferido, tínhamos gostos semelhantes e passatempos comuns.
Numa viagem de finalistas ao Gerês, organizada pelo externato onde estudávamos, vim a conhecer uma das irmãs do Tó, que por acaso também já tinha visto no externato, mas só de passagem. Chamava-se Maria Fernanda, nos círculos mais próximos a Ná.

Quis o destino, que após dois anos de felicidade, juntássemos os trapinhos.

Só depois é que vim a saber que aquele senhor que um dia me deu um garrafão de vinho, numas férias divinais na Breia em Vila Nova de Cerveira, era afinal o célebre artesão da vila e curador especialista em presuntos, o Tio Lourenço, irmão do meu sogro, cuja terra Natal é mesmo esta, onde agora vivemos.

Mais uma vez o destino fez das suas, existe mesmo...

Dedico estas narrativas como tributo, aos meus avós, Rosa e Lobo, e ao meu filho Pedro que não teve a sorte de viver a infância, tal como eu a vivi, no campo, onde tudo é diferente.

domingo, 27 de Dezembro de 2009

OS MALMEQUERES AMARELOS



COMO SÃO BELOS
OS MALMEQUERES AMARELOS!
COMO SÃO PURAS
AS LINDAS ROSAS BRANCAS!
E COMO AS ROSAS VERMELHAS
DESPERTAM A NOSSA PAIXÃO!
ACONTECEU
AO MEU POBRE CORAÇÃO!

UM TOQUE NA PORTA
ME DESPERTOU.
ABRI DEVAGARINHO...
UM RAMO VERMELHO ENTROU!
NÃO QUERIA ACREDITAR
MAS O RAMO ME ENCANTOU!
ERAM ROSAS DA COR DA PAIXÃO
QUE UMA MULHER RECEBE COM AMOR
E NUNCA DIZ QUE NÃO.
AS ROSAS... QUE BELAS SÃO!

***
Publicada por MARA em 27.12.09
Etiquetas: AS FLORES E O AMOR

Dia de Reis

Transcrevo este texto recebido por e-mail do autor, o amigo Manuel Nicolau, que merece ser lido pelo seu carácter didáctico, erudito e com a particularidade de o autor, apesar de ser arquitecto professor universitário, portanto voltado para a arte inovadora e criativa, não põe de lado a tradição. Reconhece que muito daquilo que vem de velhos tempos tem útil aplicação nos dias que correm e terá, sem dúvida, no futuro.

Boas Festas!

Na nossa cultura e civilização que inicialmente englobava a bacia do Mediterrâneo, depois transbordou e emigrou para todos os continentes, "as festas" que predominam são as de matriz cristã com Natal, Ano Novo e Reis.

Quis a sorte marafada que este ano por determinação superior, víssemos este período encurtado em três dias já que os Reis se vão comemorar a três de Janeiro. Três e não seis, data a que me habituei desde que me conheço.

Manda quem pode, sendo que no meu caso vou comemorar o dia de reis na data habitual, com bolo rei, buraco e tudo. Das três é há muito a de que mais gosto. Mais simples, mais discreta e que mais me diz em relação aos problemas diários.

Segundo a lenda, três reis representando a África, a Europa e a Ásia presentearam o menino Jesus com ouro, incenso e mirra. Todos os presentes têm um denominador comum que lhes confere grande valor. São materiais imputrescíveis.

O ouro não enferruja nem se degrada, o incenso é uma resina que ao queimar purifica os espaços em que se volatiliza e a mirra um material que era usado para embalsamar os corpos dos defuntos impedindo a sua degradação, preservando-os.

Na oferenda, os Reis sublinhavam os atributos de poder que se esperavam do nascituro e reforçavam a esperança incorruptibilidade que o exercício desse poder viesse trazer aos povos que por devoção a ele se juntassem.

Vista a coisa desta forma, ao longo dos tempos e nos actuais é compreensível que os povos tenham dedicado boas festas a tal evento, ainda que com resultados abaixo de péssimo, já que governantes sucessivos parecem não ligar muito à coisa.

Bom, a coisa está aí e desta vez antecipada em três dias, que ainda que seja meritória a intenção, nos vem baralhar a velha cantilena: "...seis, é uma noite de reis, sete, vira a folha ao canivete, oito, biscoito...". O três?..é o "número que Deus fez"!

Eu, como já vos disse, vou continuar a comemorar a seis, mas do que eu já vou conhecendo do pessoal vai tudo aderir ao três ficando assim com menos outros tantos dias de festa. Quem me preocupa mais são as crianças que ficam com a cantiga lixada.

Para os mais crescidos, que por estas artes ficaram com dias de folga na azáfama das festas, pensei recomendar-vos a leitura de três textosinhos que no meu entender poderão vir a ter grande utilidade na procura do "novo paradigma".

Trata-se de textos redigidos pelos respectivos autores no fim das vidas e que eu me tenho vindo a habituar referenciando-os como "testamentos políticos", ou seja assim umas coisas não quiseram deixar por dizer antes de se irem embora.

O primeiro é o Timeu de Platão, em que o autor descreve como a Atlântida foi destruída, submersa pelas águas por vontade de Zeus. Este trecho em tudo similar ao dilúvio bíblico, chegou a figurar como texto sagrado, como no acervo de Nag Amadi.

O segundo é o "Moisés e o monoteísmo" de Sigmund Freud, em que o autor sustenta e fundamenta ser o deus de Moisés o mesmo de Aquenaton e o próprio Moisés um iniciado nesse culto, porventura um alto sacerdote em exercício na época.

O terceiro é "os negócios do sr. Júlio César", romance com sabor a ensaio histórico, de Bertholt Brecht, baseado num relato de um escravo do Caio Júlio abrangendo antes e depois, o período em que esteve aqui na Lusitânia na qualidade de governador.

O primeiro tem várias edições em português, até de bolso, segundo está disponível aqui na Rua da Misericórdia, na livraria Guimarães e o terceiro foi editado em português pela editora Europa-América em 1962.

Se tiverem outras sugestões avisem, porque com jeito ainda se arranja aqui uma colecção gira para "um novíssimo testamento" Quanto aos bolos, para evitar chatices com os diabetes, tendes sempre a oportunidade de incidir mais na parte do buraco.

Grande abraço festivo.
Manuel Nicolau

sábado, 26 de Dezembro de 2009

RECEITA MUITO ESPECIAL PARA TODO O ANO


AMIZADE!

Ingredientes:

Uma boa porção de Tranquilidade
Generosas colheres de Esperança
Algumas pitadas de Paciência
Polvilhar carinho, muito Carinho!

Modo de fazer:

Misture bem todos os ingredientes, levar ao forno pré aquecido até dourar!

Se acontecer de queimar, não se apavore. O bolo da vida só chamusca por fora, por dentro não se estraga. Então, se passar do ponto, remova a camada externa, queimada, e cubra generosamente com Amizade.

Está pronto o bolo mais gostoso do Mundo!

Receita da felicidade

Ingredientes:

1 xícara (chá) de serenidade
3 colheres (sopa) de paciência
2 xícaras (chá) de caridade
4 colheres (sopa) de compreensão
1 dose de respeito a mesma medida de tolerância
1 dúzia de amor
1/2 litro de carinho
3 copos de alegria
1 kg de fé
2 kg de pensamento positivo
1 pitada de inteligência
e muita humildade para semear.

Modo de fazer:

Misturar tudo, com boas recordações, música, beijos e abraços de pessoas queridas a seu gosto.

Em hipótese alguma bater na massa, apenas misturar: violência faz com que o amor perca o sabor e a amizade estrague.

Colocar dentro do seu coração aquecido por aproximadamente tempo infinito.

Rendimento:

O rendimento é de infinitas porções, para todos que buscam a felicidade.

Autor desconhecido
Amabilidade da amiga do Blogue Sbrigati in cucina

Amigos, não resisti a publicar aqui esta maravilhosa receita. Usem e abusem, esta só faz bem não só ao coração como a tudo, até pode curar muitas doenças...
Fernanda Ferreira (Ná)

sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

Grupo coral dedicado ao Natal

Lapinhas de Natal- 3 parte

Melgaço naqueles tempos, era uma pequena e pacata localidade. O Inverno era rigoroso, havia muita neve e gelo. Os lobos uivavam durante a noite na serra mas ouviam-se em casa.

O meu pai, como trabalhava na única farmácia que existia daí até Monção, tinha muito que fazer. Era frequente, durante a noite, pessoas baterem à nossa porta para ele ir à farmácia. Tinha então, o que se intitula hoje, de horário “flexibilidade total”. Em contrapartida, a nossa dispensa estava sempre farta de ofertas. Aqueles produtos que hoje são veneno abundavam; presunto, salpicão, conservas várias e até lampreia.

Pela primeira vez na minha memória, cada vez mais fresca, estávamos todos juntos. Éramos quatro irmãos, eu e o mais velho nascemos na Trofa, a seguir a mim nasceu o Emílio, em Regilde, o mais novo, que já não está ente nós, nasceu mesmo em Melgaço.

Os meus pais depois do jantar, juntavam-nos a todos e saíamos a passear pela vila. Era hábito, durante parte das caminhadas, sermos acompanhados pelo gato que havia lá em casa, assim como apanharmos uns tabefes, porque as nossas brincadeiras de passeio, acabavam, como acabam todas as brincadeiras de quatro rapazes juntos.

Mas… há sempre esse mas, a vida na província não era futuro para os jovens. Assim quando o meu irmão mais velho acabou a 4ª classe, para continuar os estudos veio para o Porto viver com uns tios.

Eu fiz a 3ª classe entre Melgaço e Trofa. Os meus pais tinham decidido que o futuro passava pelo Porto, por isso, mais uma mudança.
Levaram os meus irmãos mais novos com eles e eu regressei ao paraíso. Fui viver com a minha avó Rosa e o tio Raul, que assumira a profissão do meu avô Lobo. Só nessa altura é que finalmente encarei a realidade do que tinha acontecido ao meu avô. A primeira vez que soube o que a morte significa e representa.

A segunda foi, quando um dia eu estava a brincar com o cão que a minha avó tinha, era o meu companheiro favorito, ele esperava-me sempre no final das aulas. Lembrei-me de vir com ele para a estrada num carrinho de rolamentos. Eu desci pela estrada asfaltada e o cachorro corria atrás. Antes de um cruzamento eu parei e o bicho passou para o outro lado. Quando o chamei ele obedeceu, só que passou um carro. Coloquei o animal no carrinho e trouxe-o para casa. A minha avó tratou dele. Nunca mais quis cães, até já viver em V.N. de Cerveira.

Terminei a 3ª classe e já ia na 4ª, quando fui convocado para o Porto. Aí ainda frequentei duas escolas primárias, só depois é que definitivamente assentamos. Mudamos para uma casa perto da farmácia, onde o meu pai trabalhou até ao fim da vida.

Agora pela segunda vez, estávamos definitivamente todos juntos. Além do mais a minha avó só habitava a cerca de 20km o que fazia com que as idas para a Trofa fossem agora mais amiúde.

Os Natais aqui eram diferentes, o Pai Natal era outro. A partir daqui acabaram-se os brinquedos, a vida era diferente, por isso os presentes eram outros. Foi então que deixei de acreditar no Pai Natal.

Embora não estudasse muito, a atenção e boa memória que eu tinha durante as aulas, facilitaram a minha vida de estudante. Foi aqui que na época 65/66, estava eu no 1º ano da Escola Preparatória Gomes Teixeira, fui contemplado com os livros “Lapinhas de Natal” de Manuel de Boaventura e “Excursão Acidentada” de Richard Church. Este foi o prémio de bom aproveitamento escolar, tinha passado o ano com média geral de 14 valores. A boa e rigorosa preparação escolar na província, fazia a diferença na cidade.
Vou ficar por aqui... a última parte está já escrita e publicada no meu Blogue Assim é e será publicada aqui, mal seja oportuno.

NB. Finalmente li as “Lapinhas de Natal”. É possivelmente a 1ª edição de 1964. Tinha uma marca na pág. 15. Sinal que eu já tinha chegado até ali. São contos sobre o Natal. Fiquei a saber a origem do Tronco de Natal das Lareiras e ainda da tradição do Vinho Quente com Mel. Não é leitura fácil, já que é escrito por um Minhoto com linguagem local onde são usados muitos termos do Galaico-Português. Talvez a razão da minha não leitura em tempo próprio.
J. Ferreira

quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Feliz Natal a Todos!

Finalmente chegou o Natal!
As nossas caixas de mensagens ficam repletas de belas páginas, cada uma mais criativa do que a outra. Todas nos pedem um momento de reflexão e trazem os votos, sempre renovados, de paz, de saúde, felicidades mil e sobretudo esperança para o Novo Ano.
Oxalá isso seja possível!

Tudo faremos para sermos mais felizes, para que não estejamos mais sozinhos, sim queremos também o amor nas nossas vidas (aqueles que ainda não os tem), realizaremos os nossos sonhos, e continuaremos sendo esta família unida, todos com o mesmo espírito, o de continuar e se possível melhorar as nossas relações e a qualidade dos nossos textos. Temos tudo para o fazer, somos uma grande equipa liderada pelo mestre e nosso querido amigo João Soares.

Que na noite do Natal encontremos o conforto de um ombro amigo, de um abraço, de um olhar cúmplice, de um sorriso. Que sejamos todos muito felizes!

Com o carinho de sempre, a vossa amiga,
Fernanda Ferreira (Ná)

Foto de Pedro Ferreira

DÊ O QUE TEM A MAIS A QUEM TEM A MENOS!


Interessante esta Campanha de Solidariedade da EDP!

Siga o conselho, dê tudo que tem a mais e já não usa.

Há quem precise e agradeça! Seja Solidário!

ENTÃO É NATAL!!!!!

Imagem da net


Dobram os sinos
Que linda Estrela
De Paz e Luz
Nasceu o menino
Que zela por nós
E se chama Jesus.

Então é Natal
Haja alegria, Paz
E Amor profundo,
Nasceu o menino
E o seu esplendor
Abraça o mundo.

Então é Natal
Cantemos unidos
A uma só voz:
-Nasceu o menino
Que abraça o mundo
E zela por nós.

Ana Martins
Escrito a 22 de Dezembro de 2009

terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

As Lapinhas de Natal - Segunda Parte


Passaram vários dias desde que chegamos à Trofa.

Havia ainda muita confusão na minha cabeça quando mais uma vez fomos para a estação do caminho-de-ferro. A viagem era longa pois regressávamos a Melgaço. Chorei quase todo tempo.

A vida em Melgaço era calma e tinha alguns amigos para a brincadeira, mas na Trofa é que estavam os meus avós.

Entretanto comecei a 1ª classe. O meu irmão mais velho já ia para a 3ª. Naquela altura, a escola funcionava na antiga cadeia de Melgaço, dentro das muralhas, junto à torre do castelo. Agora é o Solar do Alvarinho.
O professor Afonso era o meu professor e também dava a 2ª classe. O meu professor não era muito alto e morava muito perto de nossa casa. Ainda o vejo a atravessar o terreiro com aquela passada enorme. Tinha um andar característico, muito peculiar.

Já num passado mais recente, ia eu de viagem do Porto para Vidago para participar numas Olimpíadas dos bancários, quando na camioneta que nos levava ouvi falar de Melgaço e de alguns nomes que eu conhecia. Fui ver quem era. Ao fim de muitos anos encontro um dos filhos do meu primeiro professor, o Afonso pois claro, que além de ser bancário em Gondomar, era praticante e seria meu adversário na mesma modalidade. Coisas do destino.

O meu irmão tinha o professor Rodrigues, que dava a 3ª e 4ª classe, além de ser o presidente da Câmara.
Os dois professores eram muito severos. Eu só apanhei, com a famosa palmatória, uma vez nas mãos, aquela que tem 5 buraquinhos. Entrei na sala a bater com os pés no chão, naquele soalho de madeira carcomido. Como o professor não era grande e já estava na secretaria, eu não o vi.
Além das mãos doridas, ficou bem pior o meu orgulho. Nunca mais fui castigado em qualquer outra escola.

Só regressaria à Trofa nas férias grandes. Isto aconteceu nos dois anos seguintes. Eram quase três meses de felicidade plena. Tinha muitos amigos e amigas. As brincadeiras eram muitas e variadas. Era o pião, o esconde, o futebol, a macaca, as pescarias, só de noite é que parava. Vinham as vindimas e as corridas pelos campos semeados de milho. A fruta das árvores e o fugir aos lavradores que não gostavam do nosso atrevimento. Não havia cansaço que nos desse.

Depois tinha a minha avó. De manhã havia aquele leite que vinha ainda quente da vaca acabada de mugir e que a senhoria da minha avó distribuía à porta. Ao almoço e ao jantar, ela só fazia aquilo que eu gostava.

Resultado quando regressava a Melgaço, a eterna choradeira. Lembro-me que a minha avó dizia: -até vais com outras cores. A minha mãe contrapunha: -é só lixo. E lá ia eu para o banho.

Não me posso alongar mais. Voltarei…

Grito de Raiva

video

HÁ 2005 ANOS NASCEU UM MENINO.

TROUXE AO MUNDO MENSAGEM DE PAZ-

MENSAGEM DE AMOR. MENSAGEM DE LUZ.

ESTÁ NA ALTURA DE A RECEBERES.

CULTIVA-AS E RENASCE EM NOVO MENINO.

PODE SER QUE TE AJUDE NO TEU CAMINHO.

SEGUE, SEGUE EM FRENTE, NÃO PERCAS O TINO.

ASPIRA O PERFUME DO AMOR INFINITO.

VERÁS QUE MAIS TARDE TERÁS O SABER.

GOZARÁS O FUTURO, HONRANDO O PASSADO.

E SERÁS UM HOMEM QUE SOUBE VIVER.

MIGUEL ROZA 2005

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Boas Festas

Aos amigos intervenientes e comentadores deste cada vez mais prestigiado blogue


Escolhi um mau dia para escrever a minha mensagem a todos os amigos com quem colaborei durante algum tempo neste blogue. Fiz um grande esforço para fazer qualquer coisa muito cheia de encanto e de esperança, mas não consegui. Peço perdão. Desejava enviar-Vos uma mensagem de Natal bonita, muito bonita mesmo. Dei voltas e mais voltas à minha cabeça no sentido de encontrar uma forma de escrevê-la sem que transparecesse nela a tristeza que me vai na alma, mas não tive sucesso. Para a maioria das pessoas, este momento é de alegria e deve ser respeitado como tal. Todavia, conhecedores que somos do que está a passar-se em todo o mundo, a todos os níveis, o mais natural em mim e, certamente, em muitos seres humanos, será o de ser 'atacada' por uma onda de nostalgia, de lágrimas e de indignação, indignação esta agravada pela indiferença, cada vez maior, daqueles que bem podiam fazer algo pelos que sofrem e nada fazem.

Não fosse o facto de só hoje ter visto uma gravação dum programa apresentado pelas senhoras Lili Caneças e Paula Bovone, enfatuadas por todo o glamour que as caracteriza e não têm pejo de fazer notar sempre que abrem a boca, talvez eu estivesse menos triste. Mas ao verificar, alguns minutos antes de fazer esta mensagem, o despudor destas pessoas, em terem aceitado ir à televisão fazer a apologia do uso de serviços de Vista Alegre e de talheres de prata, na noite de Natal, quando a verdade nua e crua é termos milhões de pessoas em sofrimento por nem sequer terem dinheiro para comprar a mais simples refeição que lhes permita confraternizar com as suas famílias, condignamente, o que seria de esperar? Interpreto isto como sendo uma provocação aos que vivem miseravelmente, neste momento. Depois desta frieza que presenciei com nojo, meus amigos, escrevi o que pude. Nao fui capaz de traír a minha sinceridade, que não consegue esconder o que me vai no coração. Deixo aqui algumas linhas, as quais reflectem a forma como sinto o Natal, pedindo perdão por ter sobreposto a uma eventual alegria fictícia, a minha necessidade de escrever sobre os que sofrem. Isto não me impede, porém, de desejar que cada um tenha o direito de comprar, conservar e usar tudo o que quiserem, mas evitem, nesta época, de trazer a público a sua apologia do fausto.

Aqui deixo, portanto, depois do meu desabafo e do meu pedido de desculpa por não ter conseguido camuflar a minha tristeza ….. ,

“Os meus mais sinceros votos dum tranquilo e Feliz Natal, em Familia e que o Novo Ano seja mais generoso do que este que está a dizer-nos adeus e que, muito sinceramente, não me deixa saudades.


RESPOSTA ADIADA

Nas perguntas - e são tantas!
Que me faço dia-a-dia,
Sem respostas encontradas ...,
Há esta que eu gostaria
De saber esclarecida,
Porque não me dá descanso:
Porque sofrem as crianças
Que tanta gente ignora,
Magoadas, maltratadas
Por vis adultos, sem pejo
De ferir as suas mentes
De doces seres inocentes?
Como é que alguém acredita
Em milagres, Santos Deus,
Quando crianças padecem
Dores de bradar aos céus,
Arrastando em seu sofrer
Outras pessoas que sentem
A dor de as verem assim?
Que desgraça, que desdita
Termos de assistir, meu Deus,
Aos que não se compadecem
Com tanto mal. Que fazer?
Permitir que as violentem,
Deixando este mal sem fim?
Toda a justiça que adia
Veredictos por sair,
Não é justiça, é indecência.
Porque, entretanto, essa via,
Continua a permitir
Uma enorme prepotência.

MARIA DE LURDES LETRA

As Lapinhas de Natal


Há duas alturas em que necessito escrever. Uma é quando estou muito alegre, em jeito de quem está apaixonado. A outra é quando estou triste.

Tinha eu cerca de seis anos, vivia com os meus pais em Melgaço.

Era a época de pascoela. Uma dia, muito cedo de manhã, estava muito frio, fomos todos rapidamente a correr para a carrinha Volkswagen do Sr. Manuel Esteves e fizemos uma viagem muito demorada. Sei que não me sentia muito bem e vim quase sempre a dormir.

Quando saímos da carrinha estávamos na Trofa em casa dos meus avós. Não sabia porquê.

Entramos em casa onde estava muita gente e quando passamos pelo quarto dos meus avós que era logo à esquerda no corredor de entrada, consegui ver que o meu avô estava deitado na cama.

Sem perceber o que fazia toda aquela gente ali, os meus pais levaram-me logo para o quarto onde dormia a meu tio Raúl. Deitaram-me na cama e apareceu muita gente também ali no quarto.


Não sei quando, mas alguém de carro com o meu pai, levou-me a casa do médico, creio que na época era o único, na zona da Capela. Lembro-me perfeitamente que a consulta foi feita na entrada de casa no jardim e deitei a língua de fora. Eu tinha muito calor.

Quando chegamos a casa deitaram-me novamente na mesma cama, tudo escuro e toda a gente saiu.

Fiquei muito tempo às escuras e quase ninguém me vinha ver. Os meus pais traziam-me comida que eu não queria comer.

Mais tarde disseram-me que eu tinha o sarampo e a escarlatina. Parece que era sério e fatal em alguns casos.
Não sei quanto tempo ali fiquei, nem porque estávamos lá.
Mas nunca mais vi o meu avô.


Aquele com quem fui criado desde os meus dois anos até aos cinco e que um dia me recebeu quando o meu pai foi obrigado a levar-me de Regilde à Trofa, de noite e de motorizada porque eu não parava de chorar. A vida de circo dos farmacêuticos, nessa altura, fazia com que o meu pai não parasse de mudar de terra. (dizem, não me lembro disso).


Aquele que me aquecia na cama, pois eu dormia entre os dois avós.
Aquele que me levava muitas vezes de comboio até ao Sameiro e a Santa Luzia.
Aquele que me deu um dia um fato de marinheiro e mo vestiu numa viagem de comboio.
Aquele que me dava brinquedos no Natal.

O meu avô Lobo, era recoveiro. Fazia o serviço entre a Trofa e Porto e eu ia muitas vezes com ele.
Era uma pessoa muito importante. Se fosse hoje, diria que era o dono da TNT ou DHL. Lembro-me de muitas outras coisas boas dessa altura.

A casa onde vivi com os meus avós na Trofa tinha duas cozinhas. A “cozinha velha” era onde se passava mais tempo. Tinha uma lareira onde estava constantemente o lume a arder. Havia um daqueles potes de ferro de três pés, com água sempre a ferver. A sopa era também feita num desses potes e tinha sempre ossos, para dar o gosto e couves da horta. A minha avó Rosa fazia ali a “lavagem” que era parte da comida de um porco que ela tinha. Comprava o bicho pequenino, criava e depois vendia ao Sr. Manuel que era o merceeiro lá da terra. Às sextas-feiras havia matança.

O meu avô ralhava às vezes com a avó por causa desses bichos. O que é certo é que fui muitas vezes com ela à feira para comprar os leitõezinhos.

Na cozinha velha havia também uma daquelas máquinas que funcionavam a petróleo, tinha sempre em cima uma cafeteira com café, uma com chá e uma com leite.
Aquele café era trazido do Porto pelo meu avô, tinha um cheiro muito especial. Uns anos muito mais tarde, descobri que esse aroma era proveniente da “chicória”, que fazia parte do lote.
Na cozinha velha os bifes eram grelhados na lareira, em cima de um velho testo de panela. A carne era deliciosa.

“As Lapinhas de Natal” é o nome de um livro que me foi oferecido pelo bom aproveitamento escolar na escola “Gomes Teixeira” do Porto. Ainda não o li. Mas consta da minha biblioteca, um destes dias vou fazê-lo.

Hoje não consigo contar mais do que isto, continuarei depois…

Foto da minha avó materna Rosa. Realmente minha segunda mãe.
J. Ferreira

domingo, 20 de Dezembro de 2009

Espírito de Natal


Permita-me que eu veja se o espírito do Natal já está na sua casa!

Não, não quero ver a árvore iluminada na sala, nem quero saber quanto você já gastou em presentes.
Quero, sim, sentir no ambiente a mensagem viva do aniversariante deste Dezembro mágico: O perdão já eliminou aquelas desavenças que ocorrem no calor das nossas vidas?
Não quero ver a sua despensa cheia, quero saber se você conseguiu doar alguma coisa do que lhe sobra, para quem tem tão pouco, às vezes nada.
Não exiba os presentes que você já comprou, mesmo com sacrifício; quero ver aí dentro de você a preocupação com aqueles que esperam tão pouco, uma visita, um telefonema, uma carta, um e-mail...
Quero ver o espírito do Natal entre pais que descobrem tempo para os filhos, em amigos que se reencontram e podem parar para conversar, a gentileza de quem oferece o banco para o mais idoso, na paciência com os doentes, na mão que apoia o deficiente visual na travessia das ruas, no ombro amigo que se oferece para quem anda meio triste, perdido.

Quero ver o espírito de Natal invadindo as ruas, respeitando os animais, a natureza que implora por cuidados tão simples, como não jogar o papel no chão, nem o lixo nos rios.
Não quero ver o Natal nas vitrinas enfeitadas, no convite ao consumo, mas no enfeite que a bondade faz no rosto das pessoas generosas.

Por fim, mostre-me que o espírito do Natal entrou definitivamente na sua vida, através do abraço fraterno, do prazer de andar sem drogas e sem bebidas, do riso franco, do desejo sincero de ser feliz que não resiste ao desejo de fazer outras pessoas também felizes.

Deixe o Natal invadir a sua alma, entre os perfumes da cozinha que vai encher-se de comidas deliciosas, abrace-se à sua família e façam alguns minutos de silêncio, que será como um bálsamo para o coração e que será duradouro, eterno. O suave perfume de paz, amor, harmonia e a eterna esperança de que um dia, todos os dias, serão como os dias de Natal.
Feliz Natal para todos!

Foto:Um dos meus presentes que chegou hoje de manhã.

Fernanda Ferreira

Chinelos Dourados

Texto de Sérgio Barros, que não precisa de introdução:

Faltavam apenas cinco dias para o Natal. O espírito da ocasião ainda não tinha me atingido, mesmo que os carros lotassem o estacionamento do shopping. Dentro da loja, era pior. Os últimos compradores lotavam os corredores.

-Por que vim hoje? Perguntei a mim mesmo. Meus pés estavam tão inchados quanto minha cabeça. Minha lista continha nomes de diversas pessoas que diziam não querer nada mas eu sabia que ficariam magoados se eu não os comprasse qualquer coisa. Comprar para alguém que tem tudo e com os preços das coisas como estão, fica muito difícil.

Apressadamente, eu enchi meu carrinho de compras com os últimos artigos e fui para a longa fila do caixa. Na minha frente, duas pequenas crianças um menino de aproximadamente 10 anos e uma menina mais nova, provavelmente de 5 anos. O menino vestia roupas muito desgastadas. Os ténis me pareceram grandes demais e as calças de brim muito curtas. A roupa da menina assemelhava-se a de seu irmão. Carregava um bonito e brilhante par de chinelos com fivelas douradas.

Enquanto a música de Natal soava pela loja, a menina sussurrava desligada mas feliz. Quando nos aproximamos finalmente do caixa, a menina colocou, com cuidado, os chinelos na esteira. Tratava-os como se fossem um tesouro. O caixa anunciou a conta.
-São $6,09. -Disse.
O menino colocou suas moedas enquanto procurava mais em seus bolsos. Veio finalmente com $3,12.
-Acho que vamos ter que devolver. Nós voltaremos outra hora, talvez amanhã. –disse.

Com esse aviso, um suave choro brotou da pequena menina.
-Mas Jesus teria amado esses chinelos. -Ela resmungou.
-Bem, nós vamos para casa e trabalharemos um pouco mais. Não chore. Nós voltaremos. -Disse o menino.
Rapidamente, eu entreguei $3,00 ao caixa. Estas crianças tinham esperado na fila por muito tempo. E, além de tudo, era Natal.

De repente um par de braços veio em torno de mim e uma pequena voz disse:
-Agradeço, senhor.
-O que você quis dizer quando falou que Jesus teria gostado dos chinelos? -Eu perguntei.
O pequeno menino me respondeu,
-Nossa mãe está muito doente e vai pro céu. Papai disse que ela pode ir
antes mesmo do Natal, estar com Jesus.
E a menina completou:
-Meu professor disse que as ruas no céu são de ouro, brilhantes como estes chinelos. Mamãe não ficará bonita andando naquelas ruas com esses chinelos?

Meus olhos inundaram-se de lágrimas e eu respondi,
-Sim, tenho certeza que ficará.

Silenciosamente agradeci a Deus por usar estas crianças para lembrar-me do verdadeiro espírito de Natal. O importante no Natal não é a quantidade de dinheiro que se gasta, nem a quantidade de presentes que se compra, nem a tentativa de impressionar amigos e parentes. O Natal é o amor em seu coração, é compartilhar com os outros como Jesus compartilhou com cada um de nós. O Natal é o nascimento de Jesus que Deus nos enviou para mostrar o quanto nos ama realmente.

Natal e um auto-exame

Com base na oração de abertura do Senado estatal do Kansas, pelo reverendo Joe Wright, foi elaborado este texto:

Nesta quadra de Natal analisamos os nossos actos mais recentes, arrependemo-nos dos erros cometidos e esperamos melhor inspiração e orientação para agirmos melhor no futuro.

Segundo os valores éticos tradicionais seria amaldiçoado aquele que chama "bem" ao que está "mal“, mas é exactamente o que temos feito.

Temos perdido o equilíbrio espiritual e temos mudado os nossos valores.

Temos explorado o pobre e temos chamado a isso "sorte".

Temos recompensado a preguiça e chamámos-lhe "Ajuda Social".

Temos matado os nossos filhos que ainda não nasceram e temos-lhe chamado “interrupção voluntária da gravidez".

Temos sido negligentes ao disciplinar os nossos filhos e chamámos-lhe “desenvolver a sua auto-estima”.

Temos abusado do poder e temos chamado a isso: "política".

Temos cobiçado os bens do nosso vizinho e a isso temos chamado "ter ambição".

Temos contaminado as ondas de rádio e televisão com muita grosseria e pornografia e temos-lhe chamado "liberdade de expressão".

Temos ridicularizado os valores estabelecidos desde há muito tempo pelos nossos ancestrais e a isto temos chamado "obsoleto e passado".

Esperamos que o Espírito de Natal nos leve a olhar para o fundo dos nossos corações, a fim de nos purificarmos e evitarmos voltar a errar.

sábado, 19 de Dezembro de 2009

História de Natal - Homenagem a uma saudosa Mãe

Tomei a liberdade de aqui postar a História da Celle porque ela infelizmente não consegue fazê-lo. Espero que ela não se zangue pois só quis que a sua Homenagem fosse oportuna!
Mil beijinhos e desculpas pelo atrevimento.

Eis a sua linda e carinhosa Homenagem:

É Natal!
Tempo de Festa, de Alegria, de Solidariedade e Amor!
Particularmente gosto do Natal, venho de uma família tradicional criada observando o calendário católico e procurando agir de acordo com a doutrina cristã, que nos aconselha a ser solidários e ajudar os mais necessitados. Embora, praticando e ajudando dentro do possível, na verdade não RESOLVEREMOS os problemas do mundo,mas talvez possamos melhorar os que nos cercam , senão, teremos consciência que fizemos nossa parte, que tentamos...
Gosto do Natal porque além da comemoração do nascimento do Menino Jesus, com todo respeito, também comemorávamos, EM FAMILIA, o nascimento de uma criancinha, uma menina que teve o privilégio de nascer em tão significativa data!
“Virginia Julieta Chassim Drummond...” Nome grande, DE PRINCEZA, comprido para uma criança tão pequenina!!! Recebeu esse nome para homenagear suas avós, a paterna e a materna, dentro dos costumes da época.
Nasceu no seio de tradicional e conhecida família setelagoana, que gozava de grande prestígio na cidade! Era a quarta filha, nascida após três meninos. Portanto, quatro irmãos, só ela mulher. A menina crescia linda, uma bonequinha, loirinha de olhos azuis como o céu!.
Cercada de carinhos e mimos da mãe, (seu pai faleceu dois anos após seu nascimento), dos tios maternos que ajudaram sua mãe criar os filhos, então, órfãos de pai.
Na idade escolar,Vigininha foi para a escola, chamava atenção pela sua viva cidade inteligência e beleza: cabelos loiros encaracolados, a pele alva como a neve, um mimo!
Autentica princesa de contos de fadas!
Como era costume, criança ainda, sua familia ja havia escolhido um bom partido para casá-la, um primo engenheiro, que morava na cidade de Rio de Janeiro.
Ela foi crescendo, irradiando felicidade!
Desenvolvendo como criança saudável, sapeca, estudiosa, gostava de brincar e passeava pela calma cidade onde morava. Todos gostavam dela, chegou a adolescência, depois a juventude e então, como toda mocinha começou a namorar... Muitos pretendentes apareceram, arriscavam um namoro e seus irmãos punham todos eles a correr.
Cursou até se formar no curso secundário num colégio misto, só ela de mulher. No ginasial, transferiu-se para um colégio de freiras onde fez o curso Normal (professora). Formada, foi lecionar ajudando sua mãe então, professora numa escola pública.
Namoricos de juventude aconteciam escondidos... Até que, um dia, um dito namorado foi estudar em outra cidade, na capital mais precisamente, e deixou um amigo a tomar conta dela, a lhe mandar notícias deixando-o a par de como ela se comportava em sua ausência...
Não é que este olheiro, amigo da onça, passou -lhe a perna e ficou com a sua namoradinha, a tal princezinha! Eles se apaixonaram de verdade...é comprensível!
Independente, sabia já o que queria, muito teimosa batia o pé contra a proibição de seu namoro e desobedecendo a família ataram e firmaram um namoro sério, as escondidas...
A oposição famíliar aumentou visto ser ele pobre, filho de sapateiro, cujo pai idoso, nas horas vagas ele o ajudava no ofício... Sua família era grande e pobre, eram uns sete irmãos, e viviam com mais dificuldades, mas, sempre foi uma familia de bem, conceituada pelo caráter, honestidade e dons artísticos. João Fernandino Junior, um de seus tios foi o maior pintor da cidade, na época, deixou seu nome registrado na história local. Os demais tios criaram e participaram tocando instrumentos musicais na Banda de Musica da cidade: "Irmãos Fernandino". Eram todos unidos e muito alegres.
Com todas as dificuldades imagináveis ao namoro, as proibições os sermões as ameaças, o amor do casal só aumentava, nada temiam e o namoro continuava... Os amigos e parentes que não conseguiam entender tais atitudes da família dela, os acolhiam e os escondiam, ajudando o casal a se encontrar! Até na confecção do enxoval colaboravam, foi feito devagar, aos poucos e escondido, enquanto terminavam a casa onde iriam morar, quando casados.
Era guardado na casa de amigos, para não caírem em mãos indevidas, que certamente os sumiriam.
Rapaz responsável o Newton, se formou como Técnico em Contabilidade encontrou emprego no Banco agrícola, um Banco regional, onde fez carreira, trabalhou durante 34 anos e chegou ao cargo de Contador Geral, do mesmo!
Durante o namoro de 8 anos, comprou um lote, construiu a casa com dificuldades, onde ainda mora, na época era pequena, própria para o casal, diante da imensidade do sobrado onde ela vivia. Construida as margens da lagoa principal da cidade, ainda sem urbanização pois eles acreditavam que o progresso caminharia naquela direção e para lá se dirigiram após o casamento. Os convidados acompanharam o casal, a pé até a casa, foram parabenizá-los.
Passado o nervosismo e a tensão, tranquilos e felizes, lamentavam com os amigos a ausência dos parentes da noiva, que se encontrava trancada em casa.
Esqueci-me de dizer que o sr. Juiz de Paz era tio da noiva, impedido pela proibição de realizar o casamento da sobrinha, temeroso talvez, não providenciou os papeis, ela que havia trabalhado no cartório junto dele, não se intimidou preparou tudo como manda o figurino, publicou os proclames e um Juiz substitudo os casou! Que angustiante história de Amor?
Que responsáveis eles, né?... Final feliz Como nos contos de fadas! Casaram e viveram felizes para sempre!!! Tiveram 5 filhos; dois homens e três mulheres, que tenho a felicidade de ser uma delas... Viveram cheios de amor 65 anos, vencendo juntos os problemas normais de uma vida a dois.
Infelizmente, ela veio a falecer há 4 anos atrás, aos 90 anos de idade e o meu pai, ainda vivo, completará, dia 31 de dezembro de 2009, 97 anos. Uma benção!!! Viúvo, uma vida de aceitação dos desígnos de Deus, sem reclamações e exigências, é um idoso encantador, um sábio... Saudável, muito lúcido, cheio de projetos e sonhos.
Nesta época, faz questão da reunião de Natal em sua casa, com toda a família reunida, como se fazia antes, quando sua querida Virgininha era viva.
Rodeado pelos 4 filhos, perdemos nosso irmão mais velho, Mario Lincoln, que com certeza junto dela hoje, zelam por nossa união! E, os 17 netos e 17 bisnetos, coincidentemente, demonstra se sentir e estar muito feliz!...
Mamãe, simpática, solidária, a todos conquistava com seu gênio alegre e brincalhão, gostava muito de viajar, fazia doce gostosos, gostava de escrever e homenagear os aniversariantes, e de fazer trabalhos manuais. O robe favorito, o crochê tecia muito bem e o ensinava pacientemente, todas as 4ª feiras, no Clube de Mães Afeto, entidade filantrópica criada pelo Lions Clube, onde teve o prazer de dirigir e atuar como voluntária!!!
As mães carentes que se interessavam em aprender e se capacitar executando um trabalho, para no final do mes ajudar nas despesas da casa, ali se matriculavam graciosamente.
Virgíninha!
Mulher valente, guerreira, vanguardista e destemida, venceu a oposição da família, superou grandes obstáculos, sem medo de errar, acreditando, confiando no seu Amor, o que se concretizou !
Sua familia mais tarde, vendo-a feliz e realizada, reconhecendo as qualidades do Niton como mamãe o chamava, e ficou conhecido, se renderam a inocência dos sobrinhos-netos que, inocentemente perguntavam:
- por que tia Cadina, papai não sobe aqui?
- por que, vovó Bibitinha, convidei papai e ele disse que não pode subir?
Hoje, nossa família ouve papai contar sua história, sorridente, alegre, brincalhão, narra fazendo gozação. Elogios e loas, Newton, seu nome, rende ao seu grande amor, enaltecendo-a sempre, com os olhos marejados de saudades!
Nossos filhos e netos adolescentes, não entendem bem a situação, e riem incrédulos, duvidosos! ...não se vê usar mais oposição ao namoro, os jovens decidem tudo sozinhos!
Esta bonita história de amor vivida pelos nossos pais, quiz compartilhar com vocês, amigos do “Sempre Jovens”, como homenagem ao casal e principalmente a ela, minha mãe, que dia 24 de dezembro, faria 94 anos se viva estivesse!
Foi um amor bonito, digno de menção e elogios!!!

Aos amigos, um Feliz Natal, que o menino Deus cubra de bençãos todos vocês e com sua LUZ, ilumine seus caminhos para que ninguém se perca ou se extravie nas encruzilhadas da vida!
Feliz Natal! e ... Feliz Ano Novo!!!
Celle

Uma Vez mais peço a Deus que me desculpe desta inconfidência, mas foi a minha forma de me associar a esta linda Homenagem a uma GRANDE SENHORA! Renovo meu pedido de perdão !